Arquivo mensal: setembro 2012

Saudades das paisagens

Apesar dessa série já ter sido finalizada, achava que faltava um ponto final mais marcado, por isso volto agora para dar o fim que acho justo a esta série fotográfica / exercício fotográfico que tanto prazer me deu.

Quando comecei a fotografar quais seriam as paisagens da saudade, ou seja, as vistas mais comuns para mim, mas que me seriam caras hoje, fiquei imaginando e procurando a fundo os lugares mais básicos dos meus dias em São Paulo. O exercício foi gratificante e, hoje olhando as fotos, mais de uma semana após minha partida, vejo que fui certo, direto ao ponto.

Mas também ainda não posso dizer que já sinto saudades. Na realidade, me parece que – como imaginei – as vistas em si não me fazem tanta falta, mas sim o que eu sinto é a saudade das pessoas que completam essas vistas, seja em casa, no trabalho, na faculdade, nas casas dos amigos, nos bares, nas ruas. E também vejo que sempre queremos mais, e sinto que a insatisfação corre como o rio que serpenteia aqui perto da minha nova-e-temporária casa: sem freio.

De qualquer modo, como fui feliz registrando as saudades das minhas paisagens.

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Paisagens da saudade [2012]
#1 paisagens da saudade
#2 paisagens da saudade II
#3 margens plácidas
#4 mirandópolis
#5 três cenas
#6 as flores do jardim da nossa casa
#7 perto
#8 entre casas e ruas
#9 verão vermelho
#10 janelas abertas e outras cenas
#11 morrendo de saudade
#12 entardecer, anoitecer, noite

#1 intenso

Como começar um diário de viagem? Ainda mais de uma viagem que não é curta, mas sim de 170 dias e que eu tenho certeza que mudarão os meus modos de ver, compreender e me relacionar com as coisas? Acho muito difícil, e talvez por isso mesmo apenas hoje, mais de uma semana depois da minha chegada que consigo esboçar algumas palavras (ainda incertas).

Explico: estudo Pedagogia na Universidade de São Paulo (USP) e consegui uma bolsa de intercâmbio para ficar aproximadamente seis meses estudando fora do meu país, mais especificamente em Portugal. E cá estou eu, há exatos nove dias.

Inicialmente não pensei em fazer um diário, simplesmente porque achei que seria clichê ou tolo expor algumas coisas para o mundo inteiro, mas hoje vejo a importância desse momento, e são muitos: para não esquecer, para registrar, para refletir, para guardar do meu modo – ainda que um pouco afastado do que está sendo real – e para mostrar àqueles que realmente gostam de mim ou se interessam um feixe de toda essa experiência. Assim, hoje começo esse meu diário, desses já correntes 170 dias.
Pensei em tudo isso quase que imediatamente após pôr os pés nesta terra, mas estava difícil, extremamente aliás, colocar em prática o meu desejo, isto porque estes primeiros nove dias pareceram se expandir em quase meses tamanha a intensidade do que vivi. As novas pessoas e as relações estabelecidas, os novos lugares e paisagens, as novas palavras, línguas e formas de falar, os novos risos, tristezas, tensões e brincadeiras, a nova família.

Com isso, eu realmente acredito que a palavra intensidade resume estes primeiros dias – ainda que nela não caiba tudo o que senti e vivi. A magnitude explosiva não cabe em uma e nem em mil palavras. Nem em imagens. Mas que me importa? Sinto na pele todas as sensações e fico muito feliz por tudo isso, e na realidade as palavras e as imagens vem ao meu auxílio para dizer mais, agregar mais.
Encerrando, ainda não sei como vou estruturar essa série de posts, mas, para que eu não me esqueça – e para que vocês saibam -, além da minha nova cidade do coração, Setúbal, também já fui visitar Lisboa (Chiado, região nova da Gare do Oriente, Cais do Sodré, Intendente, Belém) e Cascais. Falarei ou postarei fotos aqui, depois. :) 

Observação 1ª: falei de “nova família” e a cada dia entendo um pouco mais sobre isso, que já haviam me falado antes da viagem. No caso, esses novos familiares seriam (e serão, penso) aqueles na mesma situação que eu. Por isso dedico esse post aos meus novos-quase-irmãos Gabriel Lourenço, Juliana Gonçalves, Juliana Steinert e Tammy Nagano (e ainda tem muitos outros, mas que convivi menos e apenas por isso não cito neste primeiro post – não fiquem com ciúmes!).
Observação 2ª: vocês também podem acompanhar minha aventura chamada Portugal no Fados Tropicais, um tumblr que fiz especialmente para isso. Lá o que pretendo é traçar um diário visual, sem muita explicação, sem muita cronologia, e que por isso mesmo acabam sendo mais um modo de detalhar essa tão intensa jornada.

Que a nossa emoção sobreviva

O importante é que a nossa emoção sobreviva.

fotografia de lilian higa

fotografia de lilian higa

Mordaça (Paulo César Pinheiro / Eduardo Gudin) – Pra iluminar (2009)
(A 1ª, a 8ª, a 10ª e a última foto são da minha linda amiga Lilian).