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Três castelos e um almoço

Não. Não foram três castelos, suas belíssimas paisagens e um almoço agradável que me responderam a dúvida angustiante que me persegue: o que eu quero fotografar além dos grandiosos monumentos e paisagens?

Na realidade acredito que essa questão surge imediatamente conectada ao fato de ainda não estar “vivendo minha vida” aqui, pois me sinto ainda um turista atento às 24 horas que há em um dia. Ainda não estou habituado a tudo e em busca daquilo que me dê um novo fôlego. Ainda há o céu espantosamente azul e o sol que queima e ilumina preciosamente as coisas. Ainda há um encanto que não se dissipa e, assim, ainda há a busca pelo meu encontro na fotografia.

E sinto-me feliz pela busca interminável.

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#2 casa nova

banheiro, meu quarto e quarto ao lado

Obviamente uma das coisas novas mais importantes (se não a mais) desse começo de intercâmbio (se não dele todo) é esse novo lugar que eu venho a chamar de casa. E ainda estranho um pouco ao chamá-lo assim.

Estranho pois com nada se parece com a minha ideia básica de casa: os infinitos estranhos nos corredores, os múltiplos “oi”, “olá”, “hi” e “good morning”, a privacidade compartilhada, o cheiro de nada e de tudo ao mesmo tempo, tudo isso só faz intensificar a sensação de estranheza e de não-casa que tenho aqui. E esqueço tantas outras grandes diferenças e rupturas de costumes aos quais estou habituado.

O que quero dizer com tudo isso, ou melhor, minha intenção com essas palavras é a tentativa de uma descrição mais próxima possível de como eu compreendo e me relaciono com estes espaços, ou seja, não estou a reclamar, criticar ou sofrer pela ausência das coisas que a mim são familiares, apenas constato algumas coisas relativas a essa nova morada. Pois sei que tudo isso está sendo extremamente importante para meu crescimento e todas as outras coisas clichês, porém reais, que posso dizer sobre estar num intercâmbio.

entre coisas novas, algumas lembranças desse meu brasil lindo

E que a verdade seja dita, ainda não é o tempo da saudade e sinto-me feliz com essa experiência toda e até me assusto com a velocidade da minha adaptação, coisa que eu não imaginava que seria tão rápida e digna – embora eu tenha que admitir que não fiquei pensando muito nisso antes da viagem.

As várias fotos estão aqui para mostrar um pouco do espaço, o que facilita muito o trabalho da escrita. Um pouco de descrição: a residência é relativamente grande (tem quase 300 camas, em três blocos e além disso tem alguns espaços comuns como a quadra, três salas com TV, e um salão com mesa de ping-pong) e as fotos ilustram alguns dos espaços que mais passo o tempo: os corredores, a cozinha e meu quarto.

olha como meu quarto é e está bonitinho! :)

Além das fotos da residência, aproveitei para mostrar um pouco do que há aqui perto (ou seja, nada). O caminho até o IPS (onde estou estudando) é, aliás, bem deserto – como eu já havia visto no google maps e falado para pessoas mais próximas. Essa caminhada até o Instituto dura uns 10 minutos e tem até carneiros e cabras no caminho! :)

Pra finalizar cabe dizer que hoje a residência está ficando quase totalmente cheia e veremos como será a convivência nestes espaços todos – principalmente na cozinha, que eu divido com, por ora, mais 5 pessoas. Que venham os próximos dias e meses (e a internet no meu quarto, por favor)!

pra finalizar, uma vista da minha janela, ao fim da tarde

#1 intenso

Como começar um diário de viagem? Ainda mais de uma viagem que não é curta, mas sim de 170 dias e que eu tenho certeza que mudarão os meus modos de ver, compreender e me relacionar com as coisas? Acho muito difícil, e talvez por isso mesmo apenas hoje, mais de uma semana depois da minha chegada que consigo esboçar algumas palavras (ainda incertas).

Explico: estudo Pedagogia na Universidade de São Paulo (USP) e consegui uma bolsa de intercâmbio para ficar aproximadamente seis meses estudando fora do meu país, mais especificamente em Portugal. E cá estou eu, há exatos nove dias.

Inicialmente não pensei em fazer um diário, simplesmente porque achei que seria clichê ou tolo expor algumas coisas para o mundo inteiro, mas hoje vejo a importância desse momento, e são muitos: para não esquecer, para registrar, para refletir, para guardar do meu modo – ainda que um pouco afastado do que está sendo real – e para mostrar àqueles que realmente gostam de mim ou se interessam um feixe de toda essa experiência. Assim, hoje começo esse meu diário, desses já correntes 170 dias.
Pensei em tudo isso quase que imediatamente após pôr os pés nesta terra, mas estava difícil, extremamente aliás, colocar em prática o meu desejo, isto porque estes primeiros nove dias pareceram se expandir em quase meses tamanha a intensidade do que vivi. As novas pessoas e as relações estabelecidas, os novos lugares e paisagens, as novas palavras, línguas e formas de falar, os novos risos, tristezas, tensões e brincadeiras, a nova família.

Com isso, eu realmente acredito que a palavra intensidade resume estes primeiros dias – ainda que nela não caiba tudo o que senti e vivi. A magnitude explosiva não cabe em uma e nem em mil palavras. Nem em imagens. Mas que me importa? Sinto na pele todas as sensações e fico muito feliz por tudo isso, e na realidade as palavras e as imagens vem ao meu auxílio para dizer mais, agregar mais.
Encerrando, ainda não sei como vou estruturar essa série de posts, mas, para que eu não me esqueça – e para que vocês saibam -, além da minha nova cidade do coração, Setúbal, também já fui visitar Lisboa (Chiado, região nova da Gare do Oriente, Cais do Sodré, Intendente, Belém) e Cascais. Falarei ou postarei fotos aqui, depois. :) 

Observação 1ª: falei de “nova família” e a cada dia entendo um pouco mais sobre isso, que já haviam me falado antes da viagem. No caso, esses novos familiares seriam (e serão, penso) aqueles na mesma situação que eu. Por isso dedico esse post aos meus novos-quase-irmãos Gabriel Lourenço, Juliana Gonçalves, Juliana Steinert e Tammy Nagano (e ainda tem muitos outros, mas que convivi menos e apenas por isso não cito neste primeiro post – não fiquem com ciúmes!).
Observação 2ª: vocês também podem acompanhar minha aventura chamada Portugal no Fados Tropicais, um tumblr que fiz especialmente para isso. Lá o que pretendo é traçar um diário visual, sem muita explicação, sem muita cronologia, e que por isso mesmo acabam sendo mais um modo de detalhar essa tão intensa jornada.