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Vide verso meu endereço

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Primeiros dias de janeiro, primeiros dias do ano novo, primeiro dia de aula, primeiro dia depois de terminar um trabalho interminável: e daí um presente para ser a cereja mais fantástica.

E, para ser mais extraordinário ainda, o presente é uma gravura que inesperadamente tem tudo a ver com a “decoração do meu cafofo”. Comecei o ano (muito) bem, com as surpresas-belas-aves-palavras que a Adelita me deu – e como é bom receber cartas.

Daí tive vontade de ser feliz e fui.

Vide verso meu endereço (Adoniran Barbosa) – Adoniran Barbosa (1975)

P.S.: também é preciso agradecer indiretamente à Ingrid, por ter me dado essa forma tão particular e colorida. =]

Morrendo de saudade

Estou no momento em que faltam as palavras e sobra a ansiedade, mas ao menos ainda tenho imagens e músicas. Ainda bem.

Apesar de achar toda essa situação um pouco cafona, brega ou fora de propósito, estou me dando o direito de tudo isso. Porque sei que são essas coisas simples que vão me deixar morrendo de saudades.

Morrendo de saudade (Nei Lopes / Wilson Moreira) – Na fonte (1981)
coloquei o crédito da primeira gravação que a Beth fez dessa música, mas no vídeo é a versão do Ensaio
Estou morrendo de saudade
De um tempo feliz que passou e eu não vi
Gosto de manhã, de sapoti
Carícias no ar, um colibri
Samambaias na varanda
Tudo isso passou, perdi
Quando o manto da noite cai sobre a cidade, que saudade
E quando a passarada anuncia a alvorada, que saudade
Arde tanto o coração que me causa impressão
Que eu tenho o peito em chamas
A saudade é um punhal
Cravado até o final, no peito de quem ama

Me ganhou – Beth Carvalho

E eu não consigo imaginar o que seria da minha vida sem o samba, nestes últimos quatro anos. Pode parecer uma bobagem, uma coisa banal ou sem importância, mas voltar a escutar samba não foi apenas “voltar a escutar samba”: o que rolou foi muito maior – basicamente porque foi de encontro a um tempo de mudanças de atitudes minhas. E eu não vou conseguir explicar em poucas palavras.

Enfim, pra esta minha comemoração tão particular, como já se sabe, decidi fazer algumas playlists com sambas que marcaram estes anos. A seleção da vez é uma homenagem à Beth Carvalho e seu período mais fértil (1973 – 1984) – ao menos na minha opinião -, e também onde estão grande parte das músicas que eu mais gosto dela [claro]. Faço essa homenagem não somente pelo fato da grande intérprete que é e por sua importância nesse gênero, mas também porque foi por suas canções que eu voltei ao samba.

Claro que poderia contar por muitas palavras a[s] história[s] dentro dessa volta, dessas canções e da minha relação com o samba mas acho que melhor que um conto cronológico e cansativo é deixar a música rolar. E que as memórias, lembranças e invenções se misturem, pois acho que ela já estão todas juntas mesmo.

Me ganhou by Shin Hatagima on Grooveshark

1. Herança (Adilson Vitor, Luiz Carlos da Vila e Jorge Aragão) – Sentimento Brasileiro (1980)
2. Jiló com pimenta (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho) – Suor no rosto (1983)
3. Antes ele do que eu (Paulinho Soares) – Mundo melhor (1976)
4. Não quero saber mais dela (Almir Guineto e Sombrinha) – Coração feliz (1984)
5. Me ganhou (Gisa Nogueira) – Pra seu governo (1974)
6. Deus me fez assim (Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho) – Na fonte (1981)
7. Goiabada Cascão (Wilson Moreira e Nei Lopes) – De pé no chão (1978)
8. Dindinha Lua (Walmir Lima e João Rios) – No pagode (1979)
9. Gota d’água (Chico Buarque) – Pandeiro e viola (1975)
10. O mundo é um moinho (Cartola) – Nos botequins da vida (1977)
11. Canto por um novo dia (Garoto da Portela) – Canto por um novo dia (1973)
12. Lua vadia (Gracia do Salgueiro e Guilherme de Brito) – Traço de união (1982)

Obrigado, Beth! :)